07/07/2009 Crianças caem mais dentro de casa
Quem tem filho pequeno em casa sabe que ter cuidado é essencial para evitar que ele sofra acidentes domésticos. Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que essa atenção deve ser redobrada, especialmente sobre os incidentes relacionados às quedas, principal causa dos atendimentos a crianças de 0 a 9 anos nas unidades de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) no país.
Dos 10.988 atendimentos hospitalares prestados a essa faixa etária, entre setembro e outubro de 2007, 3.838 (34,9%) ocorreram dentro da residência das vítimas. No Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), na capital, os casos de quedas graves, sofridas em casa, também lideram as estatísticas de ocorrências entre crianças de 0 a 12 anos. Dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) revelam que, em 2008, das 10.200 crianças atendidas HPS, 7.000 (68,6%) foram por quedas.
Em seguida vieram os casos de ingestão de corpo estranho, com 2.700 atendimentos (ou 26,4%) e, em terceiro, os casos de queimaduras, com 500 vítimas (5%). De acordo com o vice-presidente da Sociedade Mineira de Pediatria, Paulo Poggiali, o ambiente em que as crianças ficam mais expostas não são a rua ou a escola, mas nas residências onde vivem.
'A maioria dos acidentes acontece dentro de casa. Quanto menor a criança, maior o risco de ocorrências como quedas', alerta. Segundo ele, a cozinha e a área de serviço são os locais onde geralmente os acidentes com criança acontecem, pois as embalagens dos produtos atraem os pequenos.
'Os materiais de limpeza são fascinantes por causa das embalagens coloridas. Como as cores lembram sucos ou refrigerantes, as crianças não hesitam em pegá-los porque elas não têm noção do perigo', explica o especialista.
FASE ORAL
Até os 3 meses de vida, os tombos são mais recorrentes. A partir dessa fase, com o desenvolvimento neuropsicomotor, a criança começa a usar as mãos para pegar tudo o que está por perto.
'Essa é a fase oral, onde tudo que ela pega é levado à boca. O risco de ela engolir objetos ou corpos estranhos é maior', alerta Poggiali. Ainda de acordo com ele, a supervisão de um adulto que responda pela segurança da criança é o primeiro cuidado para a prevenção de acidentes.
Um outro tipo de acidente recorrente são as quedas de janelas. Segundo o pediatra, os pais devem evitar mostrar a rua pela janela, pois cria-se um fascínio por esses locais. 'A criança deve aprender que é pela porta que se tem acesso à rua'.
CASAL SE DESCUIDA, E A FILHA DE 2 ANOS BEBE ÁCIDO
O breve descuido de um casal por pouco não foi fatal para a filha pequena de 2 anos. Concentrados na rotina de trabalho em uma fazenda em Bom Despacho, na região Central do Estado, eles não perceberam que a criança havia pegado um copo com ácido e o levado à boca.
O incidente aconteceu na manhã do dia 2 de junho, quando a ajudante de serviços gerais Cristina Maria dos Santos, 31, ajudava o marido a tirar leite no curral da fazenda. 'Estávamos no curral e meu marido não percebeu que a Júlia chegou por trás dele e pegou um copinho com ácido que estava no chão', contou Cristina. O produto, segundo ela, seria utilizado para lavar as máquinas que retiram o leite das vacas.
'Foi muito rápido, coisa de segundos. Quando vi, ela já estava engasgada, fazendo vômito', disse a mãe. Cristina socorreu a filha e levou a garotinha para o pronto-socorro da cidade. De lá, ela foi transferida para o Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte.
Júlia deu entrada na unidade, em estado grave, onde ficou internada por sete dias no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). Nesse período, ela respirava com a ajuda de aparelhos, e os alimentos eram introduzidos por sonda. Segundo os médicos, a menina não precisou passar por uma lavagem estomacal porque vomitou o ácido. 'Foi um susto muito grande. Graças a Deus ela está bem e já recebeu alta', disse Cristina.
Fonte: Hellem Malta / O Tempo
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