12/08/2009 Cerca de 90% dos brasileiros não sabem identificar um AVC
Anualmente cerca de 170 mil brasileiros são hospitalizados na rede pública em decorrência de Acidente Vascular Cerebral (AVC), dos quais 30 mil morrem.
Uma das principais causas de óbito no país e responsável por grande número de inválidos permanentes, o AVC, entretanto, é desconhecido por 90% dos brasileiros, segundo pesquisa feita por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.
Coordenada pelo médico neurologista Octávio Marques Pontes Neto, a pesquisa descobriu ainda que a expressão 'AVC' tem 28 denominações diferentes para a doença. Do total de 801 entrevistados, apenas 15,5% conheciam o significado da sigla AVC e 26,5% sabiam que o médico mais indicado para tratar a doença é o neurologista.
O estudo, concluído em 2008, ganhou notoriedade com a recente publicação pela International Stroke Society (Sociedade Internacional do Derrame). A pesquisa mostrou também que os brasileiros confundem AVC com doenças cardíacas, nervosismo, pressão alta, epilepsia e até câncer.
Popularmente conhecido como derrame, o AVC ocorre quando um coágulo entope um vaso sangüíneo que irriga o cérebro (isquêmico) ou quando uma artéria cerebral se rompe (hemorrágico).
Como conseqüência, o órgão perde parte de suas funções e dependendo da região afetada, a pessoa pode ter a fala, a locomoção, a visão, a memória e até a respiração comprometidas. O AVC também pode levar à morte.
Problemas como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, obesidade, tabagismo e estresse favorecem a ocorrência do AVC.
Apesar da extensa lista de fatores de risco, 18% dos entrevistados não conseguiram citar nem mesmo um deles. A maioria dos males que predispõem ao acidente vascular cerebral pode ser tratada, portanto, a prevenção passa pelo controle dos fatores de risco.
O AVC ocorre com maior frequência em pessoas com mais de 55 anos de idade
SOCORRO RÁPIDO EVITA SEQUELAS
Segundo o neurologista Octávio Pontes Neto, o desconhecimento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de seus sintomas iniciais faz com que os pacientes procurem atendimento médico tardiamente. Isso dificulta o reconhecimento e encaminhamento rápido para um hospital adequado.
O AVC isquêmico é responsável por cerca de 80% dos casos. Entre os recentes avanços no tratamento desse tipo de acidente vascular cerebral está o desenvolvimento de remédios capazes de dissolver o coágulo que está entupindo a artéria, permitindo que o sangue volte a alimentar o cérebro e evitando seqüelas.
Porém, a eficácia do medicamento é maior se ele for dado ao paciente até três horas depois de iniciados os primeiros sintomas. Daí a importância do socorro imediato.
O tratamento do AVC hemorrágico também é mais eficiente quando a vítima é atendida nas primeiras horas. Mesmo que não seja hospitalizado imediatamente, o paciente deve ser encaminhado ao hospital o mais rápido possível, para receber tratamento apropriado.
O diagnóstico realizado no hospital é fundamental na distinção do AVC de outras doenças igualmente graves e com sintomas semelhantes.
Segundo levantamento da International Stroke Society, aproximadamente 15% dos pacientes que tiveram AVC poderão falecer ou ser hospitalizados devido a problemas nas artérias, como infarto ou novo AVC, no período de um ano após o primeiro derrame.
CONHEÇA OS SINTOMAS DO AVC
* Cefaléia intensa e súbita sem causa aparente.
* Dormência nos braços e nas pernas.
* Dificuldade de falar e perda de equilíbrio.
* Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna do lado esquerdo ou direito do corpo.
* Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo.
* Perda súbita de visão em um olho ou nos dois.
* Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar palavras ou para compreender a linguagem.
* Instabilidade, vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.
Fonte: O Tempo
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