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05/10/2009
Gordinho, sim, mas em forma

A ansiedade sobre uma 'epidemia de obesidade' continua a crescer em resposta ao alarmes e estudos quase semanais indicando que mais da metade da população adulta norte-americana está acima do peso ou obesa.

Ao mesmo tempo, o movimento de aceitação do corpo está aumentando, promovendo a mensagem de que se deve amar a si próprio e manter uma auto-imagem positiva independentemente do seu tamanho, magro ou gordo.

No meio dessas contradições, estão pessoas como Jeannie Troy, que sente estar nas duas correntes turbulentas. 'Sou obesa, mas estou absolutamente em forma', disse Jeannie, 47, que tem pouco mais de 1,5 m e 90 kg , pressão sanguínea saudável, consegue nadar por duas horas, faz três horas de aula de dança por dia e, de vez em quando, faz caminhada e anda de bicicleta.

'Não dou despesa ao plano de saúde, não perco dias de trabalho e todos os meus exames dizem que estou saudável, em vez de gorda. Estou vivendo minha vida agora, não preciso esperar até que eu perca 20 kg ou 40 kg.'

Dá para ser gordo e estar em forma ao mesmo tempo? Pesquisas tendem a mostrar que sim.

PARADOXO

Há muitas pessoas vivendo o 'paradoxo da obesidade', disse Paul Campos, professor de direito da Universidade do Colorado e autor de 'The Obesity Myth' ('O Mito da Obesidade'). Elas estão tecnicamente fora do peso ideal aprovado pelo governo, mas têm corpos que estão metabolicamente em forma devido à alimentação saudável e a rotinas de exercícios físicos.

'A noção de que todo mundo pode - e deveria - ser magro é produto de uma distorção política e de um pânico cultural sobre a diversidade dos corpos', explica Campos. 'O maior fator em termos dos riscos de saúde para qualquer pessoa é a idade, não o peso', defende o professor.

Mitos muito difundidos afirmam que as pessoas magras são naturalmente saudáveis e que as gordas estão fora de forma devido à alimentação ruim e à falta de bons hábitos de atividade física. Esses tipos de mitos são tão perversos que pessoas como Jeannie levam décadas para deixar de se odiar.

Considerada acima do peso desde o ensino fundamental, Jeannie descobriu que, quanto mais dietas ela tentava, mais peso ela ganhava. Embora pesasse 127 kg perto dos 40 anos, ela se sentia invisível. Outras vezes, sua mente dizia que todo mundo estava olhando para ela, deixando-a com medo de comer em restaurantes.

'Eu estava vivendo na minha cabeça o tempo todo, e minha vida estava muito desconexa do pescoço para baixo', disse Jeannie, que agora faz terapia com a psicoterapeuta Carmen Cool, especialista em mulheres que querem lidar com questões de peso.

'Carmen está me ajudando a perceber como meus pensamentos tinham um impacto sobre meu corpo, como dizer a mim mesmo que eu não podia fazer as coisas porque eu era gorda impedia que eu as fizesse.'

EXERCÍCIOS

Com a recomendação de Carmen, Jeannie passou um mês em um retiro feminino de exercícios e perda de peso em Vermont. A 'experiência transformadora' ajudou a por em sintonia seu corpo e mente.

'Lembro-me do dia exato em que disse que amava meu corpo', conta Jeannie. 'Eu estava nadando em uma piscina e quando saí eu já estava chorando. Fiquei encantada em conseguir nadar e em perceber que meu corpo realmente conseguia fazer essas coisas incríveis. Eu adorei porque ele conseguia'.

Jeannie descobriu que, quando ela come normal e naturalmente, prestando atenção em quando seu corpo está satisfeito ou faminto, ela conseguiu perder peso sem fazer dieta. Seu peso diminuiu para 90 kg.

BEM-ESTAR E ESCOLHAS CERTAS

Quando os indivíduos se sentem bem consigo mesmos, eles ficam motivados a fazer escolhas melhores para sua saúde. É o que defende a pesquisadora e professora Linda Bacon no livro 'Health at Every Size: The Surprising Truth About Your Weight' ('Saúde em Qualquer Tamanho: A Verdade Surpreendente Sobre o Seu Peso').

A obra tem incentivado um novo movimento que enfatiza os hábitos saudáveis para o bem-estar, e não o controle de peso.

'Se o país realmente estiver preocupado com a saúde pública, o enfoque precisa estar em convencer as pessoas a ter hábitos saudáveis', argumenta Linda.

Seu estudo de 2005 descobriu que pessoas que participaram de um programa de dieta e exercício perderam peso no início e viram diminuições na pressão sanguínea, colesterol e depressão. Entretanto, dois anos mais tarde, elas novamente ganharam peso e perderam as melhorias de saúde.

Enquanto isso, membros de um grupo de teste que praticou os preceitos do livro 'Saúde em Qualquer Tamanho' sustentaram sua perda de peso e continuaram a se exercitar.

'Tanto gordos quanto magros podem se beneficiar ao trocar o enfoque da perda de peso para a vida saudável', disse Linda. 'Quando você se aceita, você avança e faz as pazes com seu corpo. Assim, você se fortalece para fazer escolhas melhores'.

Segundo James Hill, diretor do Centro para a Nutrição Humana da Universidade do Colorado, o melhor conselho é manter-se ativo e objetivar mudanças pequenas com grandes impactos. Quanto à perda de peso, buscar uma diminuição de 10% é uma meta razoável que reduz imediatamente o risco de diabetes e doenças cardíacas, além de abaixar a pressão sanguínea.

'Devido à genética e ao enorme papel que ela tem no peso corporal, talvez você nunca tenha um índice de massa corporal (IMC) saudável, pois seus genes não deixarão', disse Hill. 'A meta, então, deve ser um aumento nos exercícios, independentemente do seu IMC'. (SRW/DP)

DEFINIÇÕES

Índice de Massa corporal. Uma pessoa é considerada acima do peso se ela tiver um índice de massa corporal (IMC) entre 25 e 29,9.

A obesidade corresponde a um IMC 30. Para se medir o IMC, basta dividir o peso pela altura ao quadrado (IMC = kg/m²). Uma pessoa com IMC menor que 18,5 é considerada magra. O normal é um número entre 18,5 e 24,9.

Fonte: New York Times