04/01/2010 Novidades sobre câncer de pulmão e melanoma
Cientistas britânicos conseguiram estabelecer pela primeira vez o mapa genético do câncer de pulmão e do melanoma, o que constitui um avanço importante para entender as doenças.
O sequenciamento mostra as mutações do DNA que levam ao câncer de pele e ao de pulmão. Os cientistas acreditam que o mapeamento abre caminho para testes sanguíneos capazes de detectar tumores mais cedo do que atualmente e novas drogas para tratamento.
Os tumores são mutações de células saudáveis causadas por fatores ambientais, como a fumaça do cigarro, químicos nocivos ou raios ultravioletas. As células doentes acumulam-se em tumores capazes de criar rupturas nas funções dos diferentes órgãos atingidos.
Todos os cânceres são causados por danos nos genes - mutações no DNA. Cientistas do Instituto Welcome Trust Sanger, que tiveram as pesquisas publicadas pela revista Nature, concluíram o sequenciamento dos danos genéticos a partir dos tumores de dois pacientes que sofriam de câncer de pulmão e de um melanoma maligno, um tumor de pele.
A pesquisa faz parte do Projeto do Gênoma do Câncer, iniciativa que reúne cientistas de 10 países que tentam mapear os genomas dos principais tipos de câncer. Os norte-americanos concentraram-se em várias sequências (cérebro, ovários), os ingleses estão a estudar o tumor de mama, os japoneses pesquisam o do fígado e a China investiga a genética do câncer de estômago.
A conclusão desse trabalho levará pelo menos mais cinco anos. 'É um momento muito importante nas pesquisas sobre o câncer. A partir de agora podemos considerar o câncer de uma maneira muito diferente', disse o professor Mike Stratton, que coordenou os trabalhos.
De acordo com o pesquisador, 'pela primeira vez, em dois cânceres individuais, um melanoma e um câncer de pulmão, estabelecemos a lista completa das anormalidades no DNA', declarou. Peter Campbell, um especialista em genomas do câncer que participou nos estudos, declarou ser 'assombroso' o que é possível ver nos genomas.
As pesquisas demonstraram que muitas mutações provocadas pela fumaça do cigarro ou pelos raios ultravioletas podem ser sequenciadas, dando consistência à ideia de que todos os tipos de câncer podem ser amplamente prevenidos.
Os cientistas sequenciaram o DNA de tecidos cancerígenos e normais e os compararam. Os com tumores de pulmão apresentavam 23 mil mutações, quase todas causadas pelo fumo.
No caso do câncer de pele, as mutações chegam a 33 mil. Os especialistas calcularam que um fumante típico adquire uma nova mutação para cada 15 cigarros que fuma.
'Cada pacote de cigarro é como uma roleta-russa', afirmou Campbell, acrescentando que nem todas as mutações levam ao câncer.
Fonte: Estado de Minas
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